Investir em ações de bancos pode ser uma alternativa relevante para quem deseja se expor ao setor financeiro e diversificar a carteira.

No início do ano, é comum que os investidores façam o planejamento dos investimentos, rebalancear o portfólio e façam ajustes visando a obter mais lucros no ano que se inicia. Uma pergunta muito comum neste início de 2026 é: em quais bancos é melhor investir?

Investir em ações de bancos como BBAS3 significa expor o capital a um setor central do sistema financeiro, influenciado pelo nível de atividade econômica, taxa de juros, inadimplência e crédito. O setor bancário é um dos mais relevantes da economia nacional e isso se reflete nos resultados dos investimentos.

Para 2026, o desempenho das ações bancárias tende a refletir um cenário de juros ainda elevados, mas com expectativa de acomodação gradual. Isso tende a impactar margens financeiras, apetite ao crédito e inadimplência.

É preciso ter em mente que diferentes modelos de negócio, como os grandes bancos, os bancos digitais e os bancos especializados reagem de forma distinta às condições do mercado. Por isso, é importante que o investidor saiba avaliar fundamentos, riscos e perfil antes de investir.

Embora informativo, este conteúdo não é uma recomendação de investimento.

Papel do setor bancário no mercado de ações

O setor bancário exerce um papel central no mercado acionário. Ele é um termômetro da economia, um grande pagador de dividendos e um dos maiores pesos dos índices relacionados à bolsa de valores.

As ações de bancos figuram entre as maiores “blue chips” da bolsa, apresentando um alto valor de mercado e alta liquidez. Assim, lhes confere forte influência em índices como o Ibovespa.

Em levantamentos de composição de índices, o segmento bancário aparece com a maior participação ponderada entre os setores. Dessa forma, os movimentos nos bancos mexem no desempenho geral da bolsa.

Impactos do cenário de juros e crédito nos bancos

Os juros e o ciclo de crédito impactam diretamente a margem, o volume de empréstimos, a inadimplência e, no limite, o lucro e o risco percebido dos bancos na bolsa.

Em um cenário de Selic alta, a tendência é que o crédito fique mais caro, a demanda seja reduzida, a inadimplência cresça e o lucro do setor sofra pressão. Em um cenário de queda de juros e melhora da atividade econômica, o custo de carregamento das dívidas cai, a inadimplência tende a diminuir e o apetite ao crédito aumenta.

Por outro lado, as margens financeiras podem encolher, exigindo mais eficiência operacional, diversificação de receitas e maior volume para manter a lucratividade do banco.

Quanto ao crédito, em ciclos de expansão, juros menores e confiança maior estimulam a tomada de crédito, aumentam o volume da carteira e diluem custos fixos, tendendo a sustentar os resultados. Em ciclos com Selic alta e atividade mais fraca, os bancos tendem a adotar posturas mais conservadoras, reduzindo concessões e ajustando carteiras.

Diferenças entre bancos tradicionais, digitais e especializados

Os bancos tradicionais operam com rede de agências físicas, caixas, gerentes e múltiplos canais presenciais e digitais. Além disso, concentram conta corrente, crédito, investimentos e serviços de varejo em geral.

São bancos que costumam ter mais burocracia e custos maiores, que são compensados por uma estrutura robusta e pela grande oferta de produtos.

Os bancos digitais funcionam basicamente via app e internet, sem agências físicas, com abertura de conta e operações 100% online e atendimento remoto.

Devo investir em ações de quais bancos em 2026?

Eles têm custos operacionais menores. Por isso, geralmente oferecem tarifas reduzidas ou isentas (como conta sem mensalidade, TED/PIX gratuitos e cartão sem anuidade), com foco em experiência e tecnologia.

Por fim, os bancos especializados direcionam serviços a segmentos específicos, ajustando produtos e linguagem às necessidades de cada nicho.

Esses bancos operam quase sempre em modelo digital, com estrutura enxuta e alto grau de personalização, oferecendo soluções sob medida em vez de um cardápio amplo para todo tipo de cliente.

Principais riscos ao investir em ações de bancos

Os principais riscos ao investir em ações de bancos são:

  • risco de crédito e inadimplência: a deterioração na capacidade de pagamento dos clientes eleva a inadimplência, provisões e pode reduzir lucros de forma relevante;
  • risco macroeconômico e de juros: ciclos de alta de juros e recessão comprimem a demanda por crédito, elevam a inadimplência e tornam os resultados mais voláteis;
  • risco regulatório: mudanças em regras do Banco Central, exigências de capital ou limites de tarifas podem afetar diretamente a rentabilidade do setor;
  • risco competitivo: o avanço de fintechs e bancos digitais pressiona tarifas, spreads e participação de mercado dos bancos tradicionais;
  • risco de mercado: mesmo com bancos lucrativos, o preço das ações pode cair por humor do mercado, crises sistêmicas ou eventos pontuais, gerando perdas ao acionista.

Indicadores usados para avaliar ações bancárias

É fundamental empregar indicadores de rentabilidade e eficiência, como:

  • ROE (Retorno sobre Patrimônio);
  • NIM (Net Interest Margin, ou margem financeira líquida);
  • Efficiency Ratio.

Também devem-se avaliar indicadores de risco e balanço, como:

  • Índice de Basileia/CET1: capital mínimo para cobrir riscos;
  • PDD (Provisões para Devedores Duvidosos);
  • Índice de Inadimplência.

Por fim, vale consultar indicadores de valuation e dividendos, como, por exemplo:

  • P/VP (Preço/Valor Patrimonial);
  • Dividend Yield.

Ações de bancos dentro de uma estratégia diversificada

Ações de bancos cabem bem em estratégias diversificadas de renda e crescimento. Elas geram renda passiva, uma vez que bancos são grandes pagadores de proventos, complementando outros investimentos como FIIs e renda fixa para obter um fluxo mensal estável.

Investir em ações do setor bancário também promove diversificação setorial e tem um horizonte longo, portanto, funciona para acumulação patrimonial.